Pular para o conteúdo principal

LEMBRANÇAS


Vê-la dormir me traz uma sensação de paz

Que há muito tempo eu não sentia.


Seus olhos, que há poucos instantes olhavam para mim

Agora descansam em calmaria.


A brisa que faz seu cabelo balançar

Me hipnotiza enquanto aqui escrevo

De repente, ainda dormindo

Você procura por mim com seus braços.


Você gosta de me ouvir tanto quanto eu gosto de lhe escutar

Imagino o que você estaria agora a sonhar.


Eu fecho os olhos, ainda acordado, deitado ao seu lado

Ouvindo as músicas que tanto escutamos juntos,

E isso me acalma de uma maneira singular.


Fecho os olhos novamente,

Você já não está lá

Ouço as mesmas músicas, 

Mas já não me acalmam como antigamente.


Acordo, com você ainda me amando

Mas percebo que foram apenas lembranças

Acordo novamente, mais lembranças

Novamente dura até quando?


Esse poema, diferente do tempo

Não é linear

Mas e você, onde está?


Eu queria estar ao seu lado

Ou embaixo

Ou em cima

Com certeza dentro

Só sei que eu quis estar com você.


Mas não apenas em lembranças.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TRINTA

      Será que algum dia eu serei avô? Bom, eu não estou perto nem de ser pai. A questão que me intriga não tem nada a ver com ser avô, mas sim o fato de que ser avô significa que duas novas gerações estão passando por nós; vinda de nós, neste caso. Significa que o momento chegou, o momento que se percebe que "ok, a vida passou e não estou mais na minha juventude". Significa que o mais óbvio fato da vida, de que ela passa, realmente se provou verdadeiro. Tudo sempre pode ser resolvido amanhã, em algum dia mais para a frente. Afinal, o mundo não vai acabar hoje mesmo. Ou vai? Pelo menos é isso o que nos move. Ser pai ou mãe, hoje em dia, também não é sinônimo de que a juventude passou. Afinal, muitos jovens viram pais e nem por isso são impossibilitados de ainda assim aproveitarem a vida. Mas chega um momento em que as coisas de jovens, que costumávamos fazer, falar, usar ou criar, já não nos pertencem mais, há outras gerações depois da nossa.     A sensação de q...

AS PERIPÉCIAS DE UM GAROTO ESTRANHO II

À LA CLARICE LISPECTOR Deodor sempre foi visto como o mais estranho entre seus iguais, aliás não havia ninguém igual a ele. Ele sempre teve os mais bizarros sonhos, e uma de suas melhores habilidades era a de sonhar acordado. Desde criança, quando ia à biblioteca, agia como um “rato”, andando desordenadamente em meio a tantas estantes recheadas de preciosos livros, esperando sempre encontrar algum que nunca tivesse visto. Isso mesmo, visto, pois ele adorava, além de ler, olhar para os livros. Esse termo, rato, não fui eu que atribui a ele não, foi uma de suas professoras; “Deodor, o rato de bibliotecas”. Esse gosto por livros é o motivo de tamanha imaginação, a de sonhar acordado, pois de tanto ler já não sabia mais o que era real e o que não era. Muitas vezes quando acordava, continuava a sonhar; enquanto fazia sua rotina diária, dava prosseguimento ao que estava sonhando enquanto dormia. Certa vez, Deodor sonhou que sua família havia viajado para uma cidade que era cortada por u...