Pular para o conteúdo principal

ALÍVIO

Li certa vez em um livro que existia apenas um pecado, denominador comum entre todos eles: o roubo. Quando se mata alguém, se rouba o direita à vida, rouba dos filhos o pai e da esposa o marido. Quando se trapaceia, se rouba o direito à justiça; a mentira rouba a verdade. Aquilo fez muito sentido para mim na época.

    Ora, ao meu ver, das boas sensações que podemos sentir, todas se resumem em uma só: o alívio. Quem já passou por algum aperto, imaginando a pior das situações que podiam ter acontecido, e no fim tudo não passou de especulação, sabe muito bem dizer como foi grande o alívio ao descobrir que nada de ruim aconteceu. Ou então quando estamos morrendo de vontade de comer aquele prato delicioso que não comemos há tempos. O alívio após nos deliciarmos tal prato é gigantesco, uma sensação de felicidade plena.
    Quem nunca se apaixonou? Cada troca de olhares com a pessoa amada é um palpitar do coração, um mini ataque cardíaco. O coração acelerado. Mãos suando. Pernas tremendo. Quando finalmente revelamos o que sentimos, um alívio leva embora todas as inseguranças bobas que havíamos sentido, e ficamos tão leves que quase flutuamos após tirar aquele peso das costas. E quando a resposta for recíproca então? Melhor nem imaginar o alívio que seria...
    Estar sob pressão em algum trabalho ou tarefa é horrível, mas o alívio que vem logo após concluirmos é recompensador. Todos já passaram por aquela situação desagradável de estar em algum lugar público e precisar ir urgentemente ao banheiro. Estar tão apertado que até caminhar é difícil. A sensação de alívio após ir ao banheiro é quase como um orgasmo. E falando em orgasmo... que sensação maravilhosa esse alívio de prazer!
    Ajudar alguém que passe por uma necessidade nos traz um alívio para a consciência,  a sensação de saber que estamos sendo altruístas é fantástica.
    Esse pensamento estava em minha cabeça há anos. Que alívio finalmente poder colocar ele para fora!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Amor

     Imagine uma pessoa que nunca fez nada por ninguém. Imagine que essa pessoa simplesmente não contribuiu e nunca irá contribuir socialmente para a humanidade, em nenhum sentido. Ela não sai com ninguém, ela não vê ninguém, não vai conhecer lugares sozinha. Não sabe tocar algum instrumento musical, para quem sabe atrair pelo menos a atenção de alguém. Ela não conversa, não saberia dialogar e nem puxar assunto com ninguém. Não teve uma primeira paixão na adolescência, nem nunca teve o primeiro beijo. Será que alguém já lhe amou? Afinal, que motivo teria para lhe amar? Imagine que essa pessoa nunca falou.       Agora imagine que essa pessoa tem uma mãe, e essa mãe tenha ficado, desde o momento que essa pessoa nasceu, literalmente o tempo inteiro ao seu lado. Imagine que ao nascer, essa pessoa recebeu a notícia de que logo iria partir. Um prazo lhe foi dado: meses de vida. Imagine que a mãe, ao ouvir isso, não deu bola alguma, não faria diferença. Essa ...

AS PERIPÉCIAS DE UM GAROTO ESTRANHO II

À LA CLARICE LISPECTOR Deodor sempre foi visto como o mais estranho entre seus iguais, aliás não havia ninguém igual a ele. Ele sempre teve os mais bizarros sonhos, e uma de suas melhores habilidades era a de sonhar acordado. Desde criança, quando ia à biblioteca, agia como um “rato”, andando desordenadamente em meio a tantas estantes recheadas de preciosos livros, esperando sempre encontrar algum que nunca tivesse visto. Isso mesmo, visto, pois ele adorava, além de ler, olhar para os livros. Esse termo, rato, não fui eu que atribui a ele não, foi uma de suas professoras; “Deodor, o rato de bibliotecas”. Esse gosto por livros é o motivo de tamanha imaginação, a de sonhar acordado, pois de tanto ler já não sabia mais o que era real e o que não era. Muitas vezes quando acordava, continuava a sonhar; enquanto fazia sua rotina diária, dava prosseguimento ao que estava sonhando enquanto dormia. Certa vez, Deodor sonhou que sua família havia viajado para uma cidade que era cortada por u...

LEMBRANÇAS

Vê-la dormir me traz uma sensação de paz Que há muito tempo eu não sentia. Seus olhos, que há poucos instantes olhavam para mim Agora descansam em calmaria. A brisa que faz seu cabelo balançar Me hipnotiza enquanto aqui escrevo De repente, ainda dormindo Você procura por mim com seus braços. Você gosta de me ouvir tanto quanto eu gosto de lhe escutar Imagino o que você estaria agora a sonhar. Eu fecho os olhos, ainda acordado, deitado ao seu lado Ouvindo as músicas que tanto escutamos juntos, E isso me acalma de uma maneira singular. Fecho os olhos novamente, Você já não está lá Ouço as mesmas músicas,  Mas já não me acalmam como antigamente. Acordo, com você ainda me amando Mas percebo que foram apenas lembranças Acordo novamente, mais lembranças Novamente dura até quando? Esse poema, diferente do tempo Não é linear Mas e você, onde está? Eu queria estar ao seu lado Ou embaixo Ou em cima Com certeza dentro Só sei que eu quis estar com você. Mas não apenas em lembranças.